31 agosto 2006

SPAM! SPAM! SPAM!

Então eu comprei, gastei dinheiro de novo, mas estou extremamente feliz:



O que me deu medo foi que escrevi para o Marco Aurélio, do Jesus, me chicoteia! perguntando umas coisas sobre os DVDs, já que ele também tem, e ele me respondeu quase que instantâneamente. É, tem gente mais "ocupada" do que eu no mundo.

 

29 agosto 2006

Razão, Emoção e um tiquinho de Cabala

A idéia é simples: não se pode separar razão e emoção pois aquela é continuação desta. Agir somente pela emoção é expressar-se de forma crua, expondo-se a uma possibilidade maior de ser incompreendido. Enquanto agir puramente usando a razão é viver somente pela forma, pelas regras estéreis e sem vida. Em ambos os casos o resultado é a frustração. Eu entendi esse conceito durante uma conversa com a Natália, do banco, mas resolvi escrevê-lo quando conversei com a Bruninha. Então, dedico este texto às duas. Quem quiser parar por aqui, pode. Quem desejar ir um pouco mais a fundo, bem-vindo à bordo.

Um escritor, exemplificando, para escrever qualquer coisa, precisa, antes de nada, ser. Pode parecer besteira, mas quem não é, não escreve também. O ser é algo que se manifesta. É algo que tem personalidade e características únicas. O ser é aquele que se diferencia de outro ser. Então o nosso escritor é, e por ser, ele se expressa. O ato de se expressar, por si só, é algo incontrolável, irracional. Um bom observador consegue perceber manifestações, decifrar personalidades, realmente conhecer outras pessoas, sem que essas se mostrem conscientemente a ele. É a já aceita linguagem corporal. Como você anda, o que você come, como vocêse veste, com quem você conversa, o que você faz; tudo isso é expressão da sua personalidade, do seu ser.

Isso seria muito simples, se não houvessem outros seres rondando o mundo, manifestando-se, e percebendo o resto dos seres, cada um do seu jeito. Os olhos que percebem o mundo também são os olhos que mostram o observador ao mundo. Nós vemos o mundo da mesma forma que vemos a nos mesmos. Gente bondosa acredita que todos são bondosos e o malandro dorme com um olho aberto (para se proteger do outro olho). Sendo assim, a percepção de quem somos depende de quem nos observa e quem ele é. Isso é o que causa a maior parte dos conflitos entre os seres: as falhas de comunicação. O meu expressar-se livremente entra em choque com o seu expressar-se livremente e ambos acabam frustrados, pois ninguém consegue realmente se expressar, pois o que se está fazendo agora é somente colocar para fora o que se tem dentro, e não colocar dentro do outro o que se tem dentro de si. A forma como expressamos nossos sentimentos é essencial para que sejamos compreendidos pelo outro, por quem desejamos atingir.

Agora então temos os meios, inventamo-los em coletivo, desenvolvemos símbolos, sinais e idéias para expressar de forma coerente aquilo que somos, que sentimos. É claro que a forma limita os sentidos, mas somente simplificando o que sentimos é que podemos ser compreendidos. Entenda, cada indivíduo é tão maravilhosamente complexo que entendê-lo integralmente é um trabalho praticamente impossível. Muitas vezes nem o próprio ser se compreende, muito menos alguém externo a ele. Porém, existe um certo número de sensações primárias compreendidas por todos. Todo ser vivo entende o que é fome, ilustrando o que disse anteriormente. E o numero dessas sensações comuns (mesmo que simples) vai aumentando conforme a intimidade entre aquele que expressa e o seu alvo. Pessoas da mesma cidade se entendem melhor do que pessoas com realidades diferentes. Pode-se chegar a um ponto de intimidade em que um olhar é o suficiente para que o outro entenda o que queremos dizer. Isso é o que Stephen King chama de Khef.

Acho que estou começando a me aprofundar demais no assunto, e isso não é bom pois torna-se cansativo. Tentarei ser mais direto.

O nosso escritor antes de tudo é um ser. Ele então tem algo a expressar e o faz através de uma combinação de palavras (símbolos) que, apesar de limitarem seus sentimentos, são mais eficientes para que o outro o compreenda. Entendendo isso, podemos finalmente voltar a afirmação feita no início do texto:

"Não se pode separar razão e emoção pois aquela é continuação desta. Agir somente pela emoção é expressar-se de forma crua, expondo-se a uma possibilidade maior de ser incompreendido. Enquanto agir puramente usando a razão é viver somente pela forma, pelas regras estéreis e sem vida. Em ambos os casos o resultado é a frustração."


Como alguns já devem esperar, isso é Cabala, sim. Na Cabala, o que chamei de ser, aprendi como consciência, o sentimento é a energia e a forma é forma mesmo. O processo de criação de todo o universo é um pouco mais complexo do que isso, mas entendê-lo, ou melhor, experimentá-lo, é um processo pessoal. Eu já tentei falar sobre isso no post Fiat Lux, mas confesso que não tive muito sucesso.

Acho que deu para entender que a razão é basicamente um filtro para as emoções e ignorá-lo é não desejar ser compreendido. E espero também que, por dedução já que não entrei muito nessa outra parte, tenha-se percebido que a razão pura é a negação do próprio ser, uma vez que usa-se um filtro para o vazio. Na Cabala, tem se um nome para isso: Klippoth, que é aquilo que chamamos de demônios, uma casca vazia, sem conteúdo.

Isso é, se você concordar comigo, é claro.


Explodingdog - this is what i was put on earth to do


PS: Na faculdade, eu a Silvia descobrimos que já que não podemos ter nossas próprias idéias para provar qualquer idéia (cientificamente falando), acabamos procurando autores que dizem exatamente aquilo que queremos.

PPS: Para a Cabala, o principio da energia (sentimentos) é masculino e o principio da forma feminino. Pano pra manga? Sim, claro!

 

25 agosto 2006

Breve num cinema perto de você...

Sei que a montagem ficou tosca, mas o que vale é aloprar o Quinho...



Peguem também o Papel de Parede oficial:



Mais informações aqui, nos comentários do mesmo e aqui.

Filhos da Pluta!

E agora Plutão não é mais um planeta, e sim um planeta anão, o que, segundo os malcomidos cientistas, é uma coisa totalmente diferente. Sendo assim, temos agora somente 8 planetas no sistema solar e, daqui alguns anos, uma caralhada de discussões (que terminam em porrada) entre os alunos da quinta e terceira séries.

Que esses cientistas queimem todos no Hades (que piada nerd)!



E comprovar a existência do b-612, necas.

 

24 agosto 2006

A Partilha

Só divulgando:

Sexta-feira, 20:30, no teatro do Colégio João XXIII, na Vila Prudente, será apresentada uma montagem da peça "A Partilha" (escrita pela nossa bicha favorita, Miguel Falabella). Duas amigas minhas estão entre as quatro irmãs. Eu, Quinho e Gustavo assistimos a peça ontem e realmente gostamos.

Quem quiser, dá um pulinho lá.

Ah, esqueci de dizer, é de gratis.

 

23 agosto 2006

A verdade sobre o sexo oral

P: Por que o homem gosta tanto de ser chupado?
R: Porque é igual ao sexo convencional, porém, ainda impede que a mulher fale alguma coisa.

Podem me bater, eu gosto.

 

22 agosto 2006

Sem título

Após uma conversa ao telefone...

Fácil é o martirio.
Difícil é o cotidiano.
Fácil é a sopa de pedras.
Difícil é o arroz com feijão.
Fácil é o idealismo.
Difícil é a consciência.
Fácil é passar o dia inteiro no mar, olhando o horizonte em busca de um pedaço de terra.
Difícl é estar em um pedaço de terra, sem mar para olhar.
Fácil é falar o que se pensa.
Difícil é pensar o que se diz.
Fácil é acordar pensando nela.
Difícil é acordar ao seu lado.
Fácil é atravessar o mundo de joelhos.
Difíl é viver a vida inteira na mesma casa.
Fácil é o "Felizes Para Sempre".
Difícil é o dia seguinte.
Fácil é não ter o que comer.
Difícil é comer todo dia a mesma coisa.
Fácil é machucar-se.
Difícil é evitar machucados.
Fácil é ser um Deus.
Difícil é ser humano.


Explodingdog - put it back together

 

21 agosto 2006

O Sétimo Dia

Segundo a tradiçao judáica, o mundo foi feito em seis dias. No sétimo dia, o sábado (shabbat), Deus descansou. Por isso, todos judeus respeitam o sábado e nele nada fazem. Para os Cristãos, o dia sagrado de descanso é o domingo.

Eu sou Cristão e ontem era domingo. Eu não deveria ter saído da cama.

Acordo doente. Parece que uma papila está inchada. Sinto um pouco de dor de cabeça e tontura. Mal estar em geral. Lembro que na noite anterior briguei com dois dos meus melhores amigos. Ainda estou brigado com um deles ao acordar. Tento voltar a dormir, mas não consigo direito. Acordo novamente com o Gustavo e o Quinho em minha porta. Eles me chamam para um churrasco. Digo que vou para lá mais tarde e vou tomar um banho. Pioro. Prefiro ficar em casa. O programa para o meu dia era basicamente passar a tarde na casa da Janaína vendo filme, enquanto o cara do Virtua não vinha. É claro que não fizemos nada disso. Eu também não fui ao churrasco.

Ela veio para a minha casa, depois de passarmos no shopping para um presente. Ela queria ver um filme que um amigo havia emprestado. O filme não funcionou. Eu fiz com que ela assistisse um Anime. Ela até que gostou um pouco, mas não era o esperado. Eu estava cansado e tentei dormir em seu colo. Falhei. Eu tenho 22 anos. Quando uma mulher atraente da minha idade vai até a minha casa para me ver, não consigo dormir. Duas horas e um Postinor Uno depois e estamos indo para a casa dela cabisbaixos e desanimados. Sim, eu sei que não ia sair de casa. Mas era um caso importante. Paramos perto da casa dela para um suco com uns amigos. Conversamos um pouco e na volta ela perdeu a blusa.

Conseguimos encontrá-la após uma pequena busca. Isso foi um bom sinal. O domingo estava acabando e eu não via a hora de começar a segunda.

Foi dormir bastante mal ainda. Foi um dia maldito. Tudo o que tentei fazer saiu pela metade. Não aproveitei quase nada das possibilidades daquele dia. Mas ela estava do meu lado e, honestamente, isso já faz valer por todo o resto.


Explodingdog - godamnit i told you this wasn't a date

 

18 agosto 2006

Break

Informamos que este blog entrará em recesso devido dificuldades... anh... técnicas. Esperamos voltar em breve.

 

16 agosto 2006

Ei, Vó...

Só faltam dois meses...


o que eu não faço por 20 contos

Pelo amor de Deus...

No farol, esquinas, bares ou em qualquer lugar fora de sua casa, sempre tem alguém pedindo esmola. O número de gente miserável no nosso país é tão grande que é praticamente impossível viver em uma metrópole sem ver pelo menos uma dúzia por dia.

E eles pedem esmola. Eles estendem as mãos e pedem "qualquer moedinha, que Deus lhe abençoe". Eles fazem malabarismos no farol e nos oferecem diversos tipos de doces e balas de procedência e armazenamento duvidosa. E nós os ignoramos. Seguimos reto como se nada tivesse acontecido. Às vezes o coração amolece e tiramos alguma moedinha para dar. É mais comum de darmos esmola quando o pedinte é mais velho, de preferência homem, de preferência quando estamos sozinhos, de preferência quando estamos com medo. Damos esmola para evitar que algo mais drástico aconteça. Damos esmola para acalmar a multidão gigantesca de esfomeados e desejosos. Damos esmola para proteger o nosso patrimônio, coisa que eles próprios muitas vezes não nos deixam esquecer: "eu poderia estar roubando, mas estou aqui oferecendo esta delícia de chocolate...".

A lagartixa, quando ameaçada e sentindo que algum outro bicho quer devorá-la, deixa seu rabo como prêmio de consolação para o predador enquanto foge para um lugar seguro. Aposto que a casa da lagartixa tem grades.

Não dê esmolas, dê gorjetas.


Explodingdog - what's in the bag?


PS: Existem vendedores da balas em ônibus que não são esmoleiros, mas sim ótimos comunicadores e pessoas que realmente buscam conquistar uma vida melhor. Porém, existem também um grande número de esmoleiros munidos de balas.

 

11 agosto 2006

The Invisible Duo

Air Guitar.

Qual roqueiro no universo não faz Air Guitar? Sabe aquele sambinha: "Quem não gosta de Samba, bom sujeito não é..."? Então, a versão roqueira diz: "Quem não faz Air Guitar, bom sujeito não é...". Não somente a Guitarra, mas imitar nossos ídolos do rock é uma necessidade quase vital para quem gosta da música. Não é a toa que existe até campeonato de Air Guitar (e como jurado, é claro, o Sr. Andreas "Participações Especiais" Kisser). Fazer Air Guitar é normal, agora, Air Guitar no ponto de ônibus, é coisa de louco. Eu faço Air Guitar no ponto de ônibus, mas tenho completa noção de que isso é bizarro.

Quarta-feira, após deixar a Jan na casa dela, fui ao ponto de ônibus esperar o elétrico (ou o Jd., ou o VILELA. O que viesse primeiro). Chegando lá, noto um cara, com fone nos ouvidos, fazendo um Air Guitar meio tímido e Lip Sync. Na certa ele era vocalista e guitarra base. Entramos no mesmo ônibus, mas, como ninguém senta ao lado de ninguém em transportes públicos se houver como sentar sozinho, nos separamos.

O ônibus começou a encher. Todos os bancos onde se podia sentar sozinho foram ocupados, ficando somente assentos ao lado de outras pessoas. Uma mãe entrou com seu filho. O menino sentou em um dos assentos e a mãe ficou em pé ao seu lado. Achei sacanagem alguém ter que ficar de pé quando haviam lugares vazios, mas não dois juntos. Saí do meu lugar e troquei com a mulher, fazendo com que os dois (mãe e filho) pudessem sentar juntos. Eu não havia percebido, mas o filho dela estava sentado ao lado do meu vocalista, onde eu agora me sentava.

Ele já era o guitarrista, por isso comecei a tocar bateria, fomos assim por um bom tempo, até que a música no meu fone acabou. Cansei de tocar bateria, meu instrumento é baixo. Virei baixista e o vocal teve um surto de Phil Collins e começou um Air Drums meio capenga, acho que ele estudou com a Meg White. Ele batia a caixa com as duas mãos e nem usava o chimbau. Mas, tudo bem.

Logo depois resolvi ousar de vez e virei o Guitarrista. Isso deve tê-lo chateado, pois ele parou de tocar e abandonou a banda. Bem, problema dele, saí em carreira solo e fiquei assim por umas duas músicas. Minha carreira solo deslanchou, mas não era a mesma coisa fazer aquilo sozinho. Acho que ele percebeu isso e abandonou todas suas frescuras e voltou pra banda. Dessa vez éramos dois guitarristas, ele base e eu solo e foi assim até chegar no Shopping Anália Franco, quando desci.

Eu dei uma olhada para onde ele estava sentado, mas ele não retribuiu o olhar. Bem, o Rock'n'Roll tem dessas, mesmo.

"Long Live Rock'n'Roll!"


Explodingdog - what are you looking at?

 

10 agosto 2006

TODASH!

Não vou escrever nada por hora. Talvez mais tarde. Eu tenho o post já pronto na cabeça, mas estou escrevendo outras coisas agora e não quero para para postar coisas no blog. Porém, deixo aqui já a dica do blog do Quinho, o Todash. O blog é novinho em folha, tem apenas 3 posts, mas o moleque até que está representando.

Vale a pena. Visitem!

PS: Visitem também o blog da Elisa. Assim ela fica feliz e nunca mais deixa spam no meu blog.

 

09 agosto 2006

True Stories

(inspirado no post do Quinho em seu blog)

De: Tereza Zambrini
Enviada em: segunda-feira, 7 de agosto de 2006 22:00
Para: Mario Henrique Perin Bernardo
Assunto: Oieeeeeeeee

Oie! Tudo bem com você?
E com o seu namoro?

Desculpa passar sempre com pressa na RECOC, mas pela manhã esse negócio de malote anda me deixando corrida (e de saco cheio!).

Comigo tudo bom!

Então, eu hoje tinha psicóloga. Eu não estava muito empolgada porque no fundo eu não tinha o que falar. Esse lance de ter que pensar antes no que falar estressa. Sabe, no fundo, de tudo o que eu falei pra ela... sabe... eu não disse nada, essa é a verdade. Então eu meio que ficava antes da sessão pensando no que eu poderia falar, sem falar... sabe? Sem me expor? E isso não poderia durar muito mais tempo e nem faria muito sentido, né?

Eis que eu fui lá hoje, meio tensa e meio sem assunto. O carro dela não estava lá. Toquei a campainha três vezes. Cheguei às 14:55h e a consulta era às 15h. Esperei até às 15:05h. Fui embora. Aliviada! E resolvi que não vou mais voltar. Uns quinze minutos depois tocou meu celular, duas vezes eu não atendi e não sei se era ela. Estou sem créditos no celular e não peguei o recado que deixaram. Amanhã vou falar com ela, dizer que preciso de um tempo. A terapia não vai rolar.

Eu antes de começar a terapia achava que não era o meu estilo. Sempre tive vontade, mas nunca achei que seria a minha cara. Resolvi tentar e achei uma boa experiência, mas, definitivamente, é o tipo de coisa que não combina comigo. No começo achei que podia rolar, mas não, não rola assim... do jeito que deve ser, manja? Profundo mesmo... não rola.

O fato dela não ter ido hoje foi exatamente o pretexto que eu precisava, que eu queria e na hora em que eu fui embora soube que tinha acabado. Amanhã vou falar pra ela, dizer que vou dar um tempo pra pensar.

O que estava me fazendo bem na terapia era ouvir de fora que eu sou normal, que eu tenho motivos para ser ansiosa, etc. Mas, sabe... eu sou uma pessoa que penso na minha vida diariamente, que procuro me conhecer, mudar, melhorar... e não sei até que ponto esse processo pode ter uma interferência externa no meu caso, entende? Eu gosto de tentar me entender e acho que posso fazer isso muito bem sozinha e com a ajuda das pessoas que eu quero, que eu confio, entende?

Conversei sobre isso com o Fausto e ele acha mesmo que não tem nada a ver comigo fazer terapia, apesar de achar que seria muito bom (ele me acha meio doida...). Ele disse tudo o que eu disse aí acima, que eu não suportaria mesmo um estranho em um nível tão profundo de intimidade. Coisas de escorpiano, ele mesmo disse. Hehehehe!

Bom, é isso. Sou novamente uma doida à solta, sem tratamento.

Você ta frito!!!!!!!!!!

Beijos,
Tereza


De: Mario Henrique Perin Bernardo
Enviada em: terça-feira, 8 de agosto de 2006 10:19
Para: 'Tereza Zambrini'
Assunto: RES: Oieeeeeeeee

Não sei se eu já lhe disse, mas eu me senti exatamente assim quando fiz terapia. Acho que é coisa de escorpiano mesmo. No meu caso, eu não podia parar pois eram ordens médicas, mas eu faltava muito... faltava quase o mês inteiro. Era meio forçação de barra. Eu sempre senti que estava inventando coisas só pra passar aquele tempo silencioso.

Meu namoro está bem, estou mais feliz do que nunca. Sabe, a gente tem brigado bastante. Eu não diria brigar, mas conversar. Parece que a gente sempre encontra algum ponto em desacordo e fica um clima ruim. Pra ter uma idéia, semana passada foram 3 vezes: terça, sexta/sabado e domingo. Cada vez um assunto diferente. Mas isso é uma questão de estar se adaptando um ao outro. É como quando você vai deitar confortável em um lugar e fica se remexendo até achar a posição confortável, sabe? O bom é que a gente sempre tem vencido essas diferenças e resolvido os problemas. E isso faz com que nossos laços fiquem mais fortes. Sabe, eu sempre tive medo de descobrir que estou só com uma pessoa, que não posso mais gostar de ninguém ou coisa do tipo, mas com ela, eu fico até feliz. Eu poderia passar o resto da vida ao lado dela. Sei que isso soa precipitado, mas eu realmente acredito nisso.

Ontem aconteceu uma coisa muito legal e estranha. Eu tive um melhor amigo no passado chamado Felipe. Por motivos confusos demais para eu entender ainda, ele sumiu. Normalmente a galera joga a culpa disso no namoro dele (ex-namoro), mas acho que nunca fiz isso. Bem, ele foi uma pessoa muito importante para mim, mas ele havia sumido. Depois de um tempo, ele terminou e voltou a andar com o pessoal. Sempre fui meio contra isso. Para mim não adiantava a companhia dele, queria a amizade de antes. Algo que achei nunca mais ser possível. Por isso eu o repudiava.

Sabado nós fomos jogar bilhar. Foi bastante gente e ele também foi. Um hora lá ele se virou e começou a puxar conversa comigo sobre livros. Cara, fazia muito tempo que a gente não conversava sobre algo somente nosso, como os livros. Foi super legal, mas eu não esperava mais nada além disso.

Ontem ele me ligou à noite para sairmos e bebermos alguma coisa. Só nós dois. Eu fiquei meio assustado, eu não sabia o que ele queria. Achei que ele fosse me xingar ou até bater por alguma coisa que eu nem sabia. Nós fomos até o Pão de Açúcar do Tatuapé. Pegamos uma cerveja cada um e ficamos conversando. Ele me contou toda a saga dele através dos diversos empregos e todas as mudanças de sua vida. A Jan me ligou, pedi para ele me deixar em casa pois eu queria falar com ela (na verdade eu queria é contar que eu tinha conversado com ele). Ele ficou meio chateado, mas foi. Quando paramos na minha porta, ele começou a perguntar se a Jan ficava sem graça perto dele (a Jan é uma ex-ficante dele. Foi por ele que a conheci), e que o pessoal não o chamava pra sair quando ela estava lá. Ele juntou as peçar direitinho, mas acabou formando uma figura totalmente diferente daquela que estava estampada na caixa do quebra-cabeça. Não existe nenhum tipo de receio da Jan em relação a ele, não mais. Houve algo no começo, aquela coisa de achar estranho aparecer do nada na vida dele novamente, e com o amigo dele (ela não sabia das mágoas que eu tinha com ele...). Nessa hora eu fiquei meio chateado. Pensei que ele havia me chamado até lá só para falar sobre isso, e não para passar um tempo legal comigo. Mas a gente continuou conversando e eu percebi que na verdade ele tava tentando fazer as coisas voltarem como antes. Teve uma hora que ele me perguntou se eu achava que a gente podia voltar a ser amigo como fomos um dia. Que idiota, ele já tinha me ganhado quando me chamou para tomar cerveja. Na verdade eu já tinha ficado balançado quando ele falou dos livros, no outro dia, no bilhar.
Então basicamente foi isso, uma das pessoas mais improtantes da minha vida voltou!

Honestamente, agora que tudo isso passou, eu fico até feliz que aconteceu. Acho que se ele não tivesse se afastado (ele e outros amigos), eu e o Gustavo nunca teríamos ficado tão amigos como somos hoje. E é a ele, Gustavo, que eu credito pelas minhas melhores mudanças atuais (e eu também sei que ele melhorou muito ao meu lado).

E tudo está bem no reino da Noruega.

Um grande beijo,
Mário Henrique

PS: Eu acho que ficou legal esse meu relato do que aconteceu ontem. Eu queria publicar algo sobre isso no meu blog. Você deixaria eu publicar esta nossa conversa?

 

08 agosto 2006

título

Música é somente vibração de ar.
Livros são apenas emaranhados de letras.
Pintura é a mistura de três cores sobre uma tela.
Uma fotografia é apenas a luz sobre um papel sensível.
E mesmo assim essas coisas conseguem tocar a alma.

E tem gente que não acredita em magia.


Explodingdog - here we go


"O essencial é invisível aos olhos"
Antoine de Saint-Exupéry
(que é o cara que escreveu o Pequeno Príncipe, mas como é cafona citar Pequeno Príncipe, eu disfarço colocando apenas o nome do autor)

 

07 agosto 2006

Escute bem...

Vou falar somente uma vez


Crush


Crash


Entendeu a diferença?

PS: Eu sei que, na verdade, estou escrevendo e não falando... Não percam tempo tentando fazer piadas sobre isso.

A Canção da Fênix

Conversando com a Laura, sexta passada, falamos sobre o U2 entre outras coisas dos anos 80. Ela adora os anos 80 e eu adoro falar mal deles para irritá-la. Sobre o U2, eu dizia que eles atualmente atingiram um estado tão grande de perfeição, de uma qualidade e criatividade musical tamanha, que se tornaram tediosos. Qualquer coisa que eles lançarem será bom. Eles sabem como fazer, eles sabem o que o público vai querer e sabe como fazê-lo. Igual ao Queen no final dos anos 80, depois do Hot Space (é claro).

Ela concordou mais ou menos com a minha opinião. Na verdade ela já estava praticamente convencida (percebam como eu escrevo como se minha argumentação fosse uma espécie de teia e convencer as pessoa, dominá-las) quando me disse que o álbum Innuendo tinha coisas mais ousadas, não tão óbvias (apesar de ainda ser um album de hits). A conversa mudou um pouco de rumo, mas hoje, segunda-feira, entendi porquê o Innuendo é tão diferente.

Existe uma antiga crença que diz que o Cisne permanece mudo durante sua vida inteira. Porém, ao perceber que a morte se aproxima, canta a mais bela de todas as canções. Um tal de Orlando Gibbons disse o seguinte:

The silver swan, which, living, had no note,
when Death approached, unlocked her silent throat.
Leaning her breast upon the reedy shore,
thus sung her first and last and sung no more.


A Canção do Cisne (Swan Song) acabou virando um termo que significa "o melhor trabalho de todos que surge antes da morte", o "gran finalle" de todo artista.

Com o Queen, I mean, Freddie, foi a mesma coisa. O Innuendo é um disco tão bom pois ele é a Swan Song do Freddie. É o momento onde ele, ciente da proximidade de sua morte pelo HIV, toma o elixir da vida, agarra este último momento na Terra e nos toca pela última vez, e talvez, da maneira mais profunda.

Convenhamos, o disco inteiro não é tão bom assim. Sei que isso contradiz grandemente com o parágrafo anterior, mas estamos falando de um álbum do Queen, e não de um projeto solo do Freddie. Existem canções em Innuendo, que de nada servem a não ser preencher espaço. Innuendo não é o A Night At The Opera, mas em determinados momentos, três para ser mais exato, em que ele supera tudo o que havia sido feito antes: Innuendo, These Are The Days Of Our Lives e, é claro, The Show Must Go On. A Verdadeira Canção do Cisne.

Tudo começa com uma Insinuação (Innuendo). Freddie se volta para o mundo com olhos mais sábios, olhos vividos, olhos moribundos...

"Through the sorrow, all through our splendour
Don't take offence at my innuendo"


Seus olhos vêem um mundo escuro, hipócrita e cruel...

"While we live according to race, colour or creed
While we rule by blind madness and pure greed
Our lives dictated by tradition, superstition, false religion
Through the eons and on and on"


E para ele o que importa é algo maior. Ele declara que é necessário livrar-se de toda esta mesquinharia e que está é nossa maior, e talvez única missão...

"If there's a God or any kind of justice under the sky
If there's a point, if there's a reason to live or die
Ha, if there's an answer to the questions we feel bound to ask
Show yourself - destroy our fears - release your mask"


E ele continuará tentado e tentando, e o que for para ser, será. Até o fim dos tempos, ou, até o tempo acabar...

"Oh yes, we'll keep on trying
Hey, tread that fine line(yeah) yeah
We'll keep on smiling, yeah(yeah) (yeah) (yeah)
And whatever will be - will be
We'll just keep on trying
We'll just keep on trying
Till the end of time
Till the end of time
Till the end of time"


Então ele se lembra do passado (These Are The Days Of Our Lives), de quando tudo era simples e inocente...

"Sometimes I get to feelin' I was back in the old days - long ago
When we were kids when we were young
Thing seemed so perfect - you know
The days were endless we were crazy we were young
The sun was always shinin' - we just lived for fun"


E ele percebe que era aquilo realmente o importante de vida e que toda a correria da vida adulta, todas as angústias dos desejos impossíveis, as metas para cumprir, a necessidade de resultados, tudo isso foi somente perda de tempo...

"Sometimes it seems like lately - I just don't know
The rest of my life's been just a show"


Ele percebe que não dá mais para voltar atrás...

"You can't turn back the clock you can't turn back the tide
Ain't that a shame I'd like to go back one time on a roller coaster ride
When life was just a game"


Mas também que a vida não acabou e que pior do que ter desperdiçado todo aquele tempo, seria desperdiçar mais tempo ainda se preocupando com o que passou. Então, relaxe. Aproveite o que ainda resta...

"No use in sitting and thinkin' on what you did
When you can lay back and enjoy it through your kids
Sometimes it seems like lately - I just don't know
Better sit back and go with the flow"


Ele, ao final, sabe que esses dias maravilhosos do passado nunca mais voltarão, porém existe algo maior que tudo isso...

"Those were the days of our lives - yeah
The bad things in life were so few
Those days are all gone now but one thing's still true
When I look and I find I still love you"


Quem ele ama? Alguém em especial, a própria banda, seus fãs, ou até talvez, a si mesmo? Não importa. O que é realmente importante é que, mesmo após todos esses anos, o amor é a única coisa que não mudou.

E finalmente chegamos ao terceiro e último ato de sua despedida (The Show Must Go On). Freddie sabe que o momento de sua morte se aproxima e todo seu questionamento volta de forma mais crua, mais pura...

"Empty spaces - what are we living for
Abandoned places I guess we know the score
On and on, does anybody know what we are looking for...
Another hero, another mindless crime
Behind the curtain, in the pantomime
Hold the line, does anybody want to take it anymore"


Mas então vem o medo, o show (a vida - sua vida) deve continuar...

"The show must go on
The show must go on, yeah"


É difícil, mas viver é a maior e mais dolorosa das artes...

"Inside my heart is breaking
My make-up may be flaking
But my smile still stays on"


Ele continua se questionando, dessa vez, o amor... os amores...

"Whatever happens, I'll leave it all to chance
Another heartache, another failed romance
On and on, does anybody know what we are living for?"


Ironicamente ele brinca. Talvez ele finalmente esteja entendendo como o negócio todo funciona...

"I guess I'm learning (I'm learning learning, learning)
I must be warmer now"


Porém, ele sabe que seu tempo se aproxima...

"I'll soon be turning (turning, turning turning)
Round the corner now"


Ele pode até negar isso para o mundo. Mas não para si mesmo. E ele sofre com a doença...

"Outside the dawn is breaking
But inside in the dark I'm aching to be free"


Neste último momento, a verdade lhe bate e ele sabe que tudo não vai acabar tão fácil assim. Neste momento ele vê sua alma e sabe que em breve estará livre...

"My soul is painted like the wings of butterflies
Fairytales of yesterday will grow but never die
I can fly - my friends"


As dificuldades serão vencidas, ele não desistirá...

"I'll face it with a grin
I'm never giving in
On - with the show"


Ele se desespera, o momento se aproxima e o olha nos olhos...

"Ooh, I'll top the bill, I'll overkill
I have to find the will to carry on"


Eu seu último suspiro, seu último hálito, ele diz a única coisa que realmente o move, sua única verdade...

"The Show MUST Go On"



Daqui a menos de um mês, você faria 60 anos... Parabéns Freddie, o show continuou.

 

03 agosto 2006

Será...

Sei que para alguns deve ser óbvio, mas só percebi isso agora.

Será que...


e...



Pode ser, não?

 

02 agosto 2006

Banin...

Haverá retaliação por isso. Pode ter certeza.

O menino, a cerca e os pregos

Certa vez me contaram uma história sobre um menino realmente cruel e egoísta. Não sei dizer se ele tinha consciência disso ou não, mas ele magoava diversas pessoas, fazia mal criações e todo tipo de arte. Não que ele fosse daqueles que aprontam por excesso de criatividade e curiosidade. O menino na história parecia ser mal mesmo.

Um dia seu pai lhe chamou e disse para ele cravar um prego na cerca do quintal de trás da casa cada vez que fizesse algo de errado com alguém, cada vez que magoasse alguém. O menino, talvez até por um sadismo prematuro, assim o fez. E quase diariamente, um novo prego aparecia na cerca.

Algum tempo passou e a cerca já estava praticamente cheia de pregos. O menino, já um pouco mais amadurecido, um dia olhou para a cerca de seu quintal e finalmente percebeu o quanto ele havia sido mal, durante esse tempo. Cada prego ali lembrava-o de algo ruim que ele havia feito, era como uma espécie de consciência visual, um mural exibindo a alma daquele pequeno homem. O menino se assustou. Foi até seu pai e pediu que o ajudasse a se livrar daqueles pregos, que o redimisse (não com essa palavra, mas com uma intenção muitas vezes maior do que a daqueles que a usam). O menino queria limpar sua consciência.

Seu pai lhe disse para que ele fosse atrás de cada uma daquelas pessoas que ele havia magoado durante aquele tempo. Que ele os encontrasse e pedisse desculpas, que se mostrasse arrependido e tentasse (quando possível) fazer algo para provar suas palavras. O pai pediu para que o menino enfrentasse seus erros e o menino aceitou.

Não sei ao certo quanto tempo levou para o menino retirar todos os pregos, mas tenho certeza que demorou bem mais do que para pregá-los. Durante esse processo, o menino aprendeu a ser um homem, aprendeu a ser humilde e a reconhecer seus erros, aprendeu a pedir perdão e a perdoar (principalmente a si mesmo). O menino cresceu, apesar da puberdade ainda não o ter atingido, em seus olhos podia-se ver que ele havia se tornado alguém melhor.

Ao retirar o último prego, o menino jogou em um vidro, onde guardava todos os pregos, e correu para sua casa. Chamou seu pai e orgulhoso mostrou-lhe que não haviam mais pregos na cerca. Foi então que seu pai pediu para que ele olhasse novamente para a cerca. O menino olhou e então viu que a cerca estava toda esburacada e destruída. Então o pai lhe ensinou que por mais que se consertem os erros, eles deixam marcas. Marcas que podem durar para sempre.

Refletindo sobre a história, percebi que não somente as atitudes cruéis e mal-intencionadas, como as do menino, deixam marcas. Acho que praticamente toda vez que entramos em contato com outra pessoa, deixamos uma marca nossa. Pode ser algo superficial, imperceptível, mas pode também ser algo profundo e doloroso. O que importa realmente é que nada pode ser revertido. O nosso mundo é aquele que anda somente para a frente e algo dito não pode ser tomado. Isso me assusta, mas acho que se fosse de outra forma, não seria realmente válido.

E tudo o que podemos fazer e pedir desculpas e seguir em frente, com um buraco a mais.


Explodingdog - everyone is going to be sorry one day

 

01 agosto 2006

Fiat Lux!

Tudo começa com uma coceirinha, algo quase imperceptível. Uma coceirinha ritmada e constante, mas muito fraca. Persistente e continua, a coceira aumenta e cresce. Algo deve ser feito. Sim, algo! Não mais temos uma coceira, mas sim um impulso. Algo deve ser feito! Então o impulso começa a ser filtrado, as mãos começam a modelar. A urgência de criar toma toda a energia e atenção e algo acontece: Fiat Lux! Faça-se a luz!

E a luz é feita. Ou talvez não seja uma luz que eu queira criar. As possibilidades são infinitas. Pode ser um som? Uma pintura? Uma construção? Uma jóia? Um texto? Um gesto? [Não]. [Não]. [Não]. [Não]. Sim! [Não]. Ok, um texto. Mas, que tipo de texto? Podemos criar um bilhete, um poema, uma multa de trânsito, um tratado sobre patê de ganso, um romance. As possibilidades novamente parecem não ter fim, mas, para que meu texto exista, devo negar tudo exceto uma possibilidade. Desse mar de "nãos", surge um único "sim", que novamente deve ser espremido para que outro "sim" saia, seguindo assim ad materia*. De uma única coceirinha, tiramos possibilidades infinitas e, somente ao concentrá-la, ao suprimi-la e defini-la, chegamos ao parto. O que chamamos de real somente o é porque não pode ser outra coisa. A realidade é a mais estática das formas.

É assim que todas as coisas deixam de ser meras possibilidades, fragmentos de sonhos, nuvens de idéias, e se tornam objetos concretos.

Desculpem pela metafísica.

*Latim de mentirinha, mas se eu não falasse, todo mundo acreditava.


Explodingdog - this little light of mine